Começo agora uma nova série de posts aqui no blog da Cerveja Sorocabana. Serão vários posts abordando estilos de cervejas ainda não muito populares no Brasil, alguns até desconhecidos. Espero com isso ajudar alguns estudiosos iniciantes do assunto - assim como eu - a descobrir novos e velhos estilos de cervejas, que estão voltando a dar as caras, ou mesmo surgindo agora, em função do grande crescimento do segmento homebrewer e das micro cervejarias. É claro que conto sempre com a ajuda de todos, para que possamos deixar esses posts mais ricos e assim contribuir para um melhor conhecimento geral sobre cervejas especiais.
O estilo escolhido para o primeiro post foi a "Lambic Gueuze", uma cerveja ainda pouco conhecida em terras tupiniquins mas, algumas vezes, já vistas por mim em bares e adegas que trabalham com o segmento das cervejas especiais.

Originária da Bélgica, a Gueuze é uma lambic tradicional elaborada a partir da mistura de lambics novas com lambics envelhecidas, e sem a adição de frutas. Usualmente, seus lúpulos e fermentos possuem características de envelhecimento, sendo o lúpulo usado em pouquissimas quantidades, tornando-o pouco perceptível, pois sua presença é de baixa para nula. O motivo de misturar as lambics velhas com as novas é que lambics mais velhas possuem um caráter mais refinado, o que ajuda a amenizar possiveis "desagrados" das Lambics novas, assegurando também que nenhum sabor indesejado será perceptível, fruto da fermentação expontânea característica deste estilo.
Após a mistura, é feita uma nova refermentação dentro da garrafa, já que a Gueuze nova não é fermentada por completo antes de misturada e engarrafada. Tradicionalmente, durante a refermentação, são usadas leveduas selvagens - Brettanomyces -, que a compete características de cidra, mofo e azedo, provenientes dos ácidos acético e láctico.

As comerciais, em grande parte, são filtradas e algumas chegam a ser até mesmo pasteurizadas. Após o envase, podem passar por um período de envelhecimento que, em algumas marcas, chegam até 3 anos. Na sua maioria, são envasadas em garrafas tipo champagne e rolhadas, o que a confere um visual mais atratívo, refinado e agradável.
Acima de tudo, as Gueuze são estruturalmente muito complexas, secas e únicas, podendo os melhores exemplos deste estilo substituir um bom champanhe sem qualquer tipo de vergonha ou desmerecimento.
Estatísticas vitais segundo o BJCP:
OG: 1.040 – 1.060
IBUs: 0 – 10
FG: 1.000 – 1.006
SRM: 3 – 7
ABV: 5 – 8%
Exemplos comerciais: Boon Oude Gueuze, Boon Oude Gueuze Mariage Parfait, De Cam Gueuze, De Cam/Drei Fonteinen Millennium Gueuze, Drie Fonteinen Oud Gueuze, Cantillon Gueuze, Hanssens Oude Gueuze, Lindemans Gueuze Cuvée René, Girardin Gueuze (Black Label), Mort Subite (Unfiltered) Gueuze e Oud Beersel Oude Gueuze.
Muito boa essa nova série de post que vem por ai, enquanto não apreciamos essas belezas vamos conhecendo suas histórias.
ResponderExcluirMeio vinagrosa a menina... mas vale a pena provar, rs...
ResponderExcluirCheers.
Ótima postagem! Adicionei seu blog na minha lista de favoritos. Abraço.
ResponderExcluirhttp://blackbrewer.blogspot.com